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Abrantes | Manjares tradicionais de Todos os Santos em dia de broas da Jacinta

É sabido que Abrantes beneficia de influências do Alentejo e da Beira Baixa que se sentem também nos sabores e aromas que enriquecem a doçaria. No Dia de Todos os Santos, é tempo de comer broas, sejam elas de mel ou de azeite, com nozes ou sabor a canela. Fomos até à Confeitaria Jacinta, no Pego, para conhecer a história desta doceira que reproduz receitas das nossas avós, e provar uma broa… de cada vez!

Jacinta ateia o lume do forno com um braçado de caruma de pinheiro. É ali que reside o segredo dos seus bolos: a cozedura a lenha e a temperatura. Basta por a mão à entrada do forno e Jacinta já sabe se é o calor correto para cozer aquele tipo de bolo. Hoje são broas. O Dia de Todos os Santos está à porta e com ele os bolinhos santinhos, o peditório, as vozes das crianças e, claro, as broas de mel. Mas também as broas fervidas com nozes, de batata doce ou de azeite e milho, à antiga.

“É uma receita com mais de 100 anos, como as nossas avós faziam. Por acaso não foi a minha avó mas uma pessoa mais velha que me ensinou, ainda eu não trabalhava em doçaria, fazia só para mim”, conta ao mediotejo.net. Os doces produzidos de forma artesanal traduzem o saber-fazer preservado ao longo do tempo, na sua genuinidade e na tradição.

“Todas as broas se vendem bem!”, garante. Como ingredientes utiliza o mel, nozes, canela, erva doce, açúcar amarelo, azeite e farinha de trigo e de milho, dependendo do tipo de broa, sem fermento.

“Os meus bolos não levam nem fermento nem bicarbonato”, diz, orgulhosa, embora também cresçam. Para tal processo químico a massa fica a repousar durante um tempo. “Crescem na mesma, o segredo é saber amassar”, garante Jacinta. Pelo Dia de Todos os Santos, indica um número: talvez umas duas mil broas saiam das suas mãos. “E já fiz mais”, atira.

Pelo ar espalha-se o aroma. Um cheiro a massa cozida entra pelas narinas, deixando qualquer um com água na boca e uma sensação de conforto. A Confeitaria da Jacinta é isto: experiência, tradição – tendo as broas de mel origem conventual – e ingredientes de qualidade. Aliás, a qualidade da matéria-prima e as receitas ancestrais são a base da sua produção.

Fazer bolos é uma paixão que nasceu com Jacinta Sousa e que ainda hoje mantém, aos 70 anos. Sendo certo que a saúde não permite, agora, tanta variedade de doçaria como confecionava em tempos idos. Pastéis de nata deixou de fazer, e tigeladas também não faz há seis meses, porque exige desgaste físico, quer na recolha de lenha grossa, no campo, quer na confeção do doce tradicional de Abrantes. Ainda assim, as broas continuam a sair das suas mãos, tal como outros bolos típicos e salgados.

Na verdade, as mãos de Jacinta conhecem o açúcar e a farinha desde os 8 anos, e ainda melhor os ovos que a mãe permitia que partisse nas suas experiências gastronómicas.

“Em pequenina já tinha aquela tendência de fazer bolos. A minha mãe tinha muitos ovos e deixava-me experimentar. A minha tia, que morava ao nosso lado, questionava a minha mãe por me deixar partir tantos ovos, e a minha mãe dizia: Deixa lá! Quer aprender, tem de aprender sozinha. Com 16 ou 17 anos, trabalhava na Baral, as minhas amigas pediam-me que fosse a casa delas fazer doces porque já me ajeitava. Fui sempre tomando gosto nisto” conta. Aos 30 anos iniciou a aventura de doceira em modo profissional.

Nascida e criada no Pego (Abrantes), cozinhava os bolos no fogão a petróleo da casa dos seus pais. Mas foi há cerca de 40 anos, quando deixou a fábrica dos queijos Baral, que o seu sonho de criança se concretizou, iniciando um negócio na área da doçaria. Autodidata, mais tarde começou a ter ajuda.

Ilda Ruivo, de 75 anos, está com Jacinta neste mundo de texturas de massas e sabores há mais 30 anos e a dupla ainda conta com outra senhora, na doce tarefa há cerca de 20 anos.

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